Nessa noite ela tinha sonhado com ele, que o beijava e estava feliz...
Mas não passa de um sonho que nunca se realizarà...
Tudo estava ameno até a rapariga sem sorte e infeliz falar com o N... riram-se muito com coisas portuguesas. A L começou com as piadas de mau gosto dela para insultar os portugueses de todas as formas e feitios. Por falar em feitios, para os franceses a rapariga tinha todos os feitios do mundo, era a pior! Claro eles divertem-se muito com isso... o hobby preferido da L...
E a portuguesa revoltou-se ! tavam a comer, ela levantou-se, eles olharam pra ela, perguntaram-lhe onde ela ia, disse-lhes que não lhe apetecia ficar mais là dentro (a olhar p'ras caras deles a falarem mal de Portugal), e bazou...
Quando saiu foi pra um canto, e não aguentou , e começou a chorar... alguém de simpàtico , as suas colegas de turma, preocuparam-se com ela. Perguntaram-lhe o que ela tinha, não conseguia falar e estava lavada em lagrimas... um lago lol... chorava desesperadamente como se fosse o fim do mundo (lagrimas de raiva e odio!) conseguiu enfim responder :
-Nada! Não tenho nada!
Elas insistiram, fizeram montes de perguntas, e queriam que a rapariga viesse com elas, pra não ficar sozinha. Ela disse-lhes o que se passou... enfim quem é que lhe deixou naquele estado. Depois os tais sairam da cantina e uma dessas raparigas foi perguntar o que se passava, eles vieram ter com ela e perguntaram :
Porque é que foste embora ? foi por causa que o N disse coisas feias de Portugal ? ou foi a L ?
A desgraçada respondeu : deixem-me em paz ! é tudo o quero neste momento !
E ela foi-se embora, foi pra fora do colégio, e sentou-se numas escadas à borda da estrada do outro lado do colégio, à espera que aquelas lagrimas horriveis secassem e que parassem de escorrer...
Quando tocou pra ir p'ras aulas ela pensou bem e voltou ; nesse instante sao eles os dois que vêm cà fora para ir vê-la, fizeram ainda perguntas, estupidas. Cagou neles ! Ainda com lagrimas na cara entrou e foi p'ras aulas com vontade de baldar, mas não podia se não os cabrões dos franceses telefonavam logo prà mãe dela, e arranjava mais prob's... e naquele momento ela ia ter tecnologia,e escreveu este texto todo pra deitar cà pra fora o que sentia (ja que não pode contar a ninguém porque niguém quer saber dela) e pra nao se aborrecer ! ...
Farta de fazer esforços pra ser igual aos outros
pra ter amigos
pra que gostem de mim
pra que me olhem como olham para os outros franceses
pra ser alguem !
eu não sei o que tenho de diferente...
sera' que é porque sou de outra origem ? portuguesa ?
porque tenho outros habitos ?
porque tenho defeitos ?
porque tenho complexos ?
porquê ?
porque é que sofro assim ?
porquê ? porquê o quê ? porquê ? porquê o quê ??
Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar, é como morrer de sede no meio do mar e afogar, sinto-me isolada com tanta gente à minha volta, vocês não ouvem o grito da minha revolta, choro a rir, isto é mais forte do que pensei, por dentro sou uma mendiga que aparenta ser uma rainha, não sei do que fujo, a esperança pouca me resta, é triste ser tão nova e já achar que a vida não presta, as pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço,o vento sopra, ao espelho vejo o fracasso, o dia amanhece, algo me diz para ter cuidado, vagueio sem destino nem sei se estou acordado, o sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha, não sei se a alma existe mas sei que alguém feriu a minha, às vezes penso se algum dia serei feliz, enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz:
Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu,
E não sei se quem me viu,
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se
esconde,
Vou ser forte e vou-me erguer,
Ter coragem de querer,
Não ceder, nem desistir eu prometo,
Busquei,
Nas palavras o conforto,
Dancei no silêncio morto,
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde,
Vou ser forte e vou-me erguer,
E ter coragem de querer,
Não ceder, nem desistir eu prometo,
Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci,
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui,
Se dependesse de mim teria ficado onde estava,
Onde não pensava, não existia e não chorava,
Prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo,
Às vezes penso que passo tempo demais comigo,
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar,
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar,
Quem sou eu? Para onde vou? De onde vim?
Alguém me diga porque me sinto assim,
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê,
Sinto lágrimas nosolhos mas ninguém as vê,
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto
daquilo que penso,
Mostrem-me a saída deste abismo imenso,
Pergunto-me se algum dia serei feliz,
Enquanto oiço uma voz dentro de mim...
Tento não me ir abaixo mas não sou de ferro, quando penso que tudo vai passar, parece que mais me enterro, sinto uma nuvem cinzenta que me acompanha onde estiver, e penso pra mim mesmo será que Deus me quer, será a vida, apenas uma corrida para a morte, cada um com a sua sina, cada um com a sua sorte, não peço muito, nao peço mais do que tenho direito, olho pra tras e analiso tudo o que tenho feito, e mesmo quando errei foi tentar a fazer bem, não sei o que é o odio, não desejo mal a ninguem, há de surgir um raio de luz no meio da porcaria, que até um relogio parado està certo duas vezes por dia, vou-me aguentando, a esperança é a ultima a morrer, neste jogo incerto que o resultado não posso prever, quando penso em desistir por me sentir infeliz, oiço uma voz dentro de mim que me diz: Mantém-te firme.